Os famosos três erres

Há uns erres mais famosos que outros. Três em particular são já conhecidos mundialmente e já cá andam há uns aninhos. São muito simpáticos e hoje em dia fazem autênticas tours pelas escolas, dando autógrafos às crianças e acenando aos seus pais.

Estes erres em particular pertencem a uma classificação de opções de gestão de resíduos sólidos conhecida, de uma forma geral, como Princípio dos 3 R’s: Reduzir, Reutilizar e Reciclar. Este princípio segue uma hierarquização precisa e tem em conta que o primeiro R tem muito menos impacto ambiental que o segundo, e um ainda menor impacto que o terceiro.  Deste modo, reduzir o consumo de recursos naturais na produção de um objecto é menos impactante do que a sua reciclagem.

Reduzir

Consiste em todo o tipo de acções que promovam a diminuição da produção de resíduos. Tanto se prende com a diminuição do consumo de bens e produtos em si mesmo, como na diminuição da geração de resíduos, na produção ou no produto final.

É o primeiro R e o mais importante, pois é na redução dos gastos de energia, recursos naturais, espaço… que se ganha mais em termos ambientais. Qualquer tipo de bem ou serviço pode ter em conta o factor redução.

Alguns exemplos de como nós podemos colocar em prática a redução de resíduos, de todos os tipos:

  • Evitar imprimir e-mails ou outros documentos que apenas precisam de ser lidos uma vez;
  • se tivermos de imprimir algum documento, tentar diminuir ao máximo as margens, para poupar papel.

    Secar a roupa ao ar livre (Porto, 2011)

  • usar folhas de rascunho;
  • comprar produtos resistentes e que durem no tempo;
  • usar pilhas recarregáveis;
  • usar um copo reutilizável (vidro, cerâmica, plástico resistente…) na máquina de café do trabalho – se for uma máquina que dispensa copos automaticamente, seleccionar previamente a opção “sem copo” 😉
  • em vez de usar um palito, que é descartável, usar um garfo para picar os bolos que estão no forno – para ver se já estão cozidos;
  • bater claras em castelo à mão, ou com uma batedeira manual, para poupar energia eléctrica;
  • usar paninhos, ou quadradinhos ou círculos em crochet/tricot com linha fofinha, que possam ser lavados e reutilizados, como “algodão” para desmaquilhar ou para limpeza da pele em geral;
  • usar panos velhos, em vez de papel de cozinha, que depois são lavados;
  • usar um “pirex” ou assadeira com tampa, em vez de tapar a comida com papel de alumínio, para levar ao forno;
  • procurar opções de compra a granel, para se evitar o excesso de embalagens, por um lado, e para se comprar apenas o que se precisa, por outro;
  • apagar a luz e a televisão, quando não está ninguém por perto;
  • tomar banho em menos de 5 minutos;
  • não usar ovos para fazer bolos  (outras dicas aqui).

Reutilizar

Reutilizar é, basicamente, usar mais que uma vez uma mesma coisa. Ao usarmos várias vezes algo, não estamos a precisar de poluir e extrair mais recursos naturais para produzir coisas novas, reduzindo, assim, a nossa pegada ecológica.

Se estivermos com atenção ao que nos rodeia e ao que consumimos em geral, vamos nos aperceber da quantidade de coisas que podemos reutilizar:

  • envelopes;

    A nossa necessidade mais básica é comprar, mas devia de ser a de usar o que já temos. (comic de Sarah Lazarovic)

  • cortar a roupa velha que já não pode ser doada, em pedaços, e usar como panos de limpeza;
  • usar jornais como papel de embrulho;
  • quando se tem de comer fora e não nos deixam recusar o papel que se coloca no tabuleiro (dizem que é ilegal e podem levar uma multa…), retirar e guardar o papel antes que se suje e aproveitar para escrever notas, fazer embrulhos…
  • usar garrafas de vinho para guardar sumos de frutas ou licores caseiros;
  • usar as cascas de banana para engraxar sapatos, entre outras coisas, as de laranja para nomeadamente aromatizar a sala e as de limão para, por exemplo, afastar as formigas da cozinha;
  • consertar equipamento avariado (felizmente está a começar a ser considerado “boa onda”!)
  • restaurar móveis antigos em vez de comprar novos;
  • reutilizar frascos de vidro para guardar comida, material escolar, fazer de vaso…
  • aproveitar embalagens descartáveis para artesanato (é um óptimo material para entreter as crianças 😉 ) – a internet está cheia de ideias!
  • usar tudo o que se possa em segunda, terceira, quarta… mão (roupa, acessórios, telemóveis e computadores, móveis, loiça, brinquedos…);
  • doar ou vender tudo o que possa ser reutilizado, em vez de deitar fora – grupos como o Freecycle são excelentes para dar e receber, uma coisa sem serventia nenhuma para nós, pode ser de valor para outra pessoa (mesmo quando estamos à espera que não sirva para nada! Antes de colocarmos um electrodoméstico para reciclar, porexemplo, podemos ver se alguém está interessado, para aproveitar peças…).

Reciclar

Reciclar é usar um material para criar um novo, entrando no ciclo de produção de onde saiu originalmente. O vidro pode ser fundido para gerar vidro novo; o plástico pode ser processado para gerar plástico novo; o papel pode voltar a ser uma pasta e transformar-se de novo em papel.

Para que a reciclagem ocorra, é necessário separarmos os nossos resíduos para contentores próprios, geralmente nos “eco-pontos”, para que sejam depois encaminhados para as industrias recicladoras.

Nem todos os materiais podem ser reciclados, mas há cada vez mais tentativas de reciclagem, pois é uma indústria muito lucrativa. A reciclagem de metais pesados e minerais raros, muito usados nos produtos electrónicos, está francamente em crescimento, embora colocando em risco muitas vidas humanas, pois quem recolhe estes materiais geralmente procura-o em lixeiras a céu aberto, sem qualquer protecção contra aqueles elementos perigosos.

Reciclar um material pressupõe um menor gasto de recursos naturais e de energia; é, portanto, mais positivo que criar um produto totalmente novo. Contudo, este é o terceiro R e, como tal, um terceiro recurso na gestão de resíduos, pois reduzir é realmente o mais importante, seguido pela reutilização.

Deste modo, é importante comprar produtos reciclado e recicláveis (o vidro é dos melhores materiais que existem, neste sentido, pois é 100% reciclável, eternamente!) e fazer a separação de resíduos o melhor possível. Contudo, reduzir o consumo em geral é imperativo!

  Com o tempo, foram se “inventando” mais erres, como forma de complementar ao máximo o princípio original. Acrescentou-se o Recuperar, por exemplo, o Respeitar, o Repensar… mas parece-me que só complica e confunde. Recuperar não é o mesmo que reutilizar? Se uma coisa está estragada, precisamos de a consertar para a continuar a usar… se tivermos o segundo R em mente, nem pensamos duas vezes, tentamos arranjar a coisa e pronto. Respeitar não sei se é um conceito adequado para a gestão de resíduos, embora seja necessário respeitar o ambiente e os outros seres vivos em geral. Quanto a repensar… acho que todos os R’s precisam de imaginação para serem colocados em prática e todos os nossos hábitos têm realmente que ser repensados, mas é um R que pertencerá a outro tipo de princípios, parece-me.

Na realidade, não precisamos de comprar tantas coisas…
(comic de Sarah Lazarovic)

  Existem ainda uns conceitos novos e interessantes como Upcycle (que implica a transformação das coisas em outras novas, mas sem alterar o material que as compõem – ao contrário da reciclagem) e “Repurpose” (dar um novo propósito a uma coisa). No fundo são os nomes que se dão à parte criativa da reutilização! A Internet está cheia de ideias que são o máximo, espreitem só algumas aqui, aqui e aqui!

O que acham dos nossos amigos erres? Consideram-nos válidos e fáceis de implementar?

Na minha página do Facebook, dou todos os dias dicas de como aplicar os 3R’s! Sigam-me por lá 😉

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3 respostas a Os famosos três erres

  1. Aprendi imensas coisas interessantes com este artigo! Espero poder implementá-las!

  2. Pingback: 43: Starts with a Path. Ends with a Door. | Almofate's Likes

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